domingo, 28 de março de 2010

Dirigente chinês vem ao Brasil

O dirigente chinês, Hu Jintao, virá ao Brasil em Abril para anunciar o aumento dos investimentos chineses no Brasil. Os presidentes assinarão um acordo chamado "Plano de Ação Conjunta", que visa estimular as relações comerciais.



As empresas chinesas estão interessadas em setores como mineração, automobilístico e energético. Já existem contratos em andamento com a mineradora MMX e Itaminas, compradas recentemente por empresas chinesas.



De acordo com o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, a China investirá US$ 1 bilhão na compra de bens e serviços da estatal. Segundo ele, "com a expansão da atuação da companhia em razão do pré-sal, essa cifra ainda vai subir, o que vai estimular investimentos de fornecedores estrangeiros no Brasil".



*Fonte: Estado de S. Paulo - Economia - 28/03/2010
Enviado por Carlos Amos

domingo, 21 de março de 2010

The Times publica pretensão política de Lula

O jornal britânico The Times publicou nesse sábado uma reportagem sobre a pretensão do presidente Lula de ocupar a vaga de secretário-geral da ONU, atualmente de Ban Ki-moon.

De acordo com a reportagem, "diplomatas dizem que Lula da Silva, que deixa o cargo em janeiro, pode buscar o posto mais alto da diplomacia mundial quando o primeiro mandato de Ban Ki-moon expirar, no fim de 2011". Além disso, "A ideia teria sido aventada pela primeira vez pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante a reunião de cúpula do G20, em Pittsburgh, em setembro".

No entanto, o The Times observa que Lula tem irritado as grandes potências, em especial os EUA e a Grã-Bretanha, o que poderia ocasionar no veto ao seu nome na ONU. Como exemplos, o jornal cita "a recepção dada em Brasília ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e as críticas às sanções ao Irã, e também o apoio à Argentina em sua disputa com os britânicos pelas ilhas Malvinas".

*Fonte: Notícias UOL. Link: http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/03/20/lula-esta-de-olho-no-cargo-de-secretario-geral-da-onu-diz-the-times.jhtm

Link cedido por Carlos Amos

Opinião sobre Política Externa Brasileira para uma vaga no CSNU

A ambição presidencial, por Jânio de Freitas


"A insistência pela inclusão do Brasil no Conselho de Segurança da ONU teria dado lugar à inclusão do próprio Lula.
JÁ ESTÁ MAIS DO que constatado que Lula nada faz sem ter como prioridade uma conveniência sua -pessoal, ainda que política-, conclui-se que sua turnê pacificadora no Oriente Médio teve como resultado um não resultado, sob a forma de uma pergunta. O que levou Lula às conversações em Israel, Palestina e Jordânia nem foi uma ideia criativa, que o ministro Celso Amorim cedo tratou de negar, nem foi a pretensão deslumbrada de projetar, com sua lábia, efeitos racionais e humanitários no conflito. A tanta distância da realidade os seus coadjuvantes de formulação da política externa não o deixariam ir.O que Lula foi levar ou buscar no Oriente Médio, afinal de contas? A hipótese de resposta em curso antevê mais uma semelhança entre Lula e Fernando Henrique, mas as restrições são muitas.A diplomacia brasileira trabalhou como nunca no governo Fernando Henrique. Foi um tal de desencavar homenagens, títulos e condecorações para o presidente, oito anos nesse jeitoso gênero de toma lá, dá cá, que não sobrou muito tempo para o batente de fato. A rigor, reconheçamos, não precisava sobrar mesmo, porque o Brasil não teve política externa própria.Como disse John Kenneth Galbraith nas memórias, ao tratar de suas atividades diplomáticas, embaixador brasileiro só se ocupava de festas. Quando, para dar uma ilustração a respeito, o embaixador de Fernando Henrique em Portugal foi chamado de volta, madame Luiz Felipe Lampreia voltou a Portugal para fazer a mudança mas, durante dois meses, não houve Itamaraty nem Planalto que conseguisse encerrar sua série ininterrupta de festas esplendorosas. Enquanto o novo embaixador esperava aqui.Não de todo, mas em medida suficiente, confirmou-se o boato sussurrado de que Fernando Henrique ambicionava a secretaria-geral da ONU, ao deixar o governo. E para isso havia todo um trabalho internacional e pressões sobre a própria ONU. A confirmação veio quando o então secretário Kofi Annan, assim que Fernando Henrique deixou o governo, nomeou-o para uma comissão. Obscura, porém. Atendia em parte ao desejo, mas mostrava que os apoios foram apenas gentis, sem empenho real. Nem se sabe o que foi feito dessa nomeação.Agora para Lula, o boato sussurrado é o mesmo. A esquecida insistência pela inclusão do Brasil como membro efetivo do Conselho de Segurança da ONU teria cedido lugar à inclusão do próprio Lula. A dele, na secretaria-geral.Se possíveis, alguns resultados positivos no Oriente Médio comporiam um cacife poderoso. Mas nem assim estaria superada uma restrição cada vez mais forte: em busca da afirmação de sua política externa, e de si mesmo, Lula se põe como um jogador à parte do esquema de jogo dos Estados Unidos. Até muito mais hoje em dia do que o fez em relação a Bush e seu governo.Se antes os americanos não apoiaram a entrada do Brasil no Conselho de Segurança, com mais motivos não admitiriam daqui a pouco a entrega da secretaria-geral a Lula. O Lula de quem nem se conhece a sua concepção de ordem internacional para o planeta guerreiro. Ainda que não fosse necessário, tão logo Lula saiu de Israel para a Palestina, a ultradireita que compõe o governo israelense não perdeu tempo nem sequer com um agradecimento: "Não queremos mediação nenhuma. O conflito tem que ser resolvido entre israelenses e palestinos". Aí, sim, de modo surpreendente, na Palestina a intenção de Lula provocou reação equivalente do governo Abbas: "Não há necessidade de mais intermediários, já há bastante".Seja o que for que Lula pretendesse colher no Oriente Médio, nada colheu lá, nem aqui. E ainda deixou mais uma interrogação".

*Fonte: Folha de S. Paulo - Brasil - 21/03/2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Palestinos querem Lula como secretário-geral da ONU

Mohamed Edwan, porta-voz da Presidência Palestina, afirmou hoje que "espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja o próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, cargo que atualmente é ocupado pelo sul-coreano Ban Ki-moon".


Segundo Edwan, "achamos que ele poderia ser um ótimo secretário-geral da ONU, pois é um homem de paz e de diálogo e sabe negociar de maneira inteligente e admirável (...) O próprio presidente Abbas também pensa assim".

O apoio foi feito durante a inauguração da "Rua Brasil", em Ramallah, próxima ao túmulo de Yasser Arafat e em frente à sede da Autoridade Palestina.

*Fonte: Globo. Link: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1533342-5602,00-PALESTINOS+QUEREM+LULA+SECRETARIOGERAL+DA+ONU.html

Comissão das Relações Exteriores boicota Política Externa Brasileira

O presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB) decidiu suspender todos os processos de nomeação de embaixadores brasileiros até que o chanceler Celso Amorim retorne ao Brasil e dê explicações formais à Comissão a respeito da Política Externa do governo. Essa foi uma decisão partidária, tomada pelo PSDB: "o gesto dos tucanos foi uma resposta ao que chamam de 'trapalhadas' do governo federal no campo diplomático. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que o partido 'rompeu com a política externa brasileira' em consequência de erros cometidos pelo Executivo (...) Virgílio citou exemplos do que classifica de 'trapalhadas' do Executivo em política externa, como a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não visitar o túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl".

O partido demonstrou irritação em continuar o processo de nomeação de cargos para o MRE durante o momento atual da diplomacia brasileira sem que haja ao menos uma discussão sobre os nomes. De acordo com Arthur Virgílio, "uma comissão relevante como a Comissão de Relações Exteriores, a ideia que o Executivo faz dela é de que ela está ali para chancelar acordos internacionais, para aprovar no senta e levanta nome de embaixadores. O embaixador sempre é amigo de alguém, nós sempre somos amigos de um outro embaixador. Ou seja, no fundo, fundo termina funcionando a Comissão de Relações Exteriores como se fosse um clube".

*Fonte: Folha Online - 17/03/2010

terça-feira, 16 de março de 2010

Opinião

Uma política ingênua e errática

Por Otavio Frias Filho

"Na nossa diplomacia, cheia de distorções seletivas, a questão dos direitos humanos deixa de ter qualquer valor no trato com inimigos de Washington, os quais adulamos. Durante muito tempo, a política externa brasileira foi negligenciada no debate público. Como ocorre em toda nação continental, a agenda interna sempre esmagou a externa, efeito acentuado, em nosso caso, pelo discreto relevo internacional do país. Aos poucos, esse quadro começa a mudar.Talvez seja nossa inexperiência no palco do mundo, combinada à afoiteza do governo Lula em projetar a todo custo o peso geopolítico que o país já alcançou, o que nos leva a cometer equívocos em cascata e enveredar por um caminho temerário.Veja-se, por exemplo, o caso do Irã. Ao que tudo indica, a elite dirigente daquele país (incluída a facção oposicionista) acredita que possuir armas nucleares seja um imperativo de segurança nacional. Não é absurdo que pense assim. Os americanos promovem atualmente duas guerras de invasão nos países que fazem fronteira com o Irã a oeste (Iraque) e a leste (Afeganistão). A menos de mil quilômetros de seus limites territoriais, a distância entre São Paulo e Brasília, o Irã tem cinco vizinhos inamistosos e dotados de capacidade militar nuclear: Paquistão, Índia, China, Rússia e Israel.Se essa premissa for aceita, nada deterá o Irã (exceto, talvez, um desesperado ataque preventivo de Israel). O mais provável é que Israel e Irã convivam no futuro sob o "equilíbrio do terror nuclear", o mesmo mecanismo que deteve Estados Unidos e União Soviética no passado e detém os arqui-inimigos Índia e Paquistão hoje. O que o Brasil tem a ganhar ao se imiscuir em problema que não é diretamente seu, numa conjuntura geograficamente remota e comercialmente pouco importante para nós?Os Estados Unidos influem e se intrometem nos conflitos do Oriente Médio não para pavonear seu peso mundial, como parecem supor nosso simplório presidente e seu trêfego chanceler. Os EUA estão atolados até o pescoço na região porque sua economia é dependente do petróleo local (não é o caso da nossa) e sua comunidade judaica exerce peso desproporcional nas eleições americanas (diferente de novo do Brasil, onde comunidades de origem judaica e árabe têm expressão equilibrada e convivem de fato).Não existe razão de política externa para que nossa atitude perante a complexa, quase insolúvel, contenda entre israelenses e palestinos seja outra que não uma equidistância comedida, sempre favorável à não violência e à negociação direta entre as partes. Retomar esse contato direto, aliás, é hoje o ponto crucial naquele conturbado trecho do globo. Nossa "diplomacia do futebol" tem pouco a fazer ali, exceto passar ridículo.Numa entrevista recente, o novo embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, disse algo significativo, o que é inusitado entre diplomatas. Referindo-se às relações entre nossos dois países, constatou que "vamos começar a nos esbarrar por aí". Shannon aludia ao fato de que o aumento do peso econômico e comercial do Brasil aumenta sua influência externa, irradia seus interesses e o expõe a crescentes áreas de atrito com outros países relevantes, desde logo os próprios Estados Unidos.Em outras palavras, não precisamos buscar sarnas para nos coçar, elas virão natural e infelizmente como decorrência de nossa projeção maior na geopolítica mundial. Logo teremos de enfrentar decisões realmente difíceis.É provável, por exemplo, que o Brasil venha a ser um dos cinco entes soberanos a predominar no planeta antes de meados do século, junto com a China, os Estados Unidos, a Índia e a Europa. Continuaremos a ser o único a prescindir de armas nucleares como recurso dissuasivo? O ex-ministro Rubens Ricupero tem uma bela argumentação em defesa dessa originalidade, talvez até como contribuição da cultura brasileira ao futuro dos povos.Mesmo no âmbito de uma perspectiva pacifista, porém, que é da nossa tradição, abdicar de arma atômica implica como contrapartida a obrigação de dotar o país de recursos militares convencionais muito mais onerosos e destrutivos do que o aparato atual. São questões graves como essa que merecem debate profundo, mais que nossa ingênua, felizmente inócua, aparição no Oriente Médio ou nossa desastrada e igualmente inócua ingerência nos assuntos internos de Honduras.Toda política externa deve combinar o interesse egoísta do próprio país com um elenco de valores universais (essencialmente, respeito aos direitos humanos e à autodeterminação dos povos). Ela será tanto mais sólida e respeitável quanto mais os dois aspectos se harmonizarem sem grande contradição. O que estamos fazendo é uma política errática, cheia de distorções seletivas, de modo que a questão dos direitos humanos, por exemplo, deixa de ter qualquer valor no trato com inimigos de Washington, os quais adulamos para sermos vistos como "independentes".Vamos confrontar os Estados Unidos, sim, e cada vez mais. Mas vamos fazê-lo quando for relevante para o Brasil, não para realizar as fantasias ideológicas da militância que aplaude o presidente Lula e seu chanceler Celso Amorim, o qual errou mais uma vez quando se filiou no ano passado ao PT. Chanceler não deveria ter partido. Parodiando Clemenceau (1841-1929), a diplomacia é assunto sério demais para ser relegado a diplomatas e a ideólogos partidários".

*Fonte: Folha de S. Paulo - Mundo - 16/03/2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

Lula comete gafe ao chegar em Israel

O presidente Lula finalmente desembarcou em Israel, e foi alvo de críticas de embaixadores israelenses após publicar oficialmente o cancelamento da visita que faria ao túmulo de Theodor Herzl, jornalista fundador do movimento sionista, que levou à criação do Estado de Israel. Lula depositaria uma coroa de flores no túmulo.

Políticos israelenses consideraram o cancelamento um insulto. Porém, para a embaixadora Dorit Shavit, diretora-geral para América Latina do Ministério das Relações Exteriores, "Lula recusou visitar o túmulo porque não sabe quem é Herzl e não porque tenha algo contra o sionismo". De acordo com ela, "na minha avaliação, ele decidiu não ir porque não sabe a importância de Herzl para nós. Ainda temos esperança que ele mude ideia".

No entanto, funcionários do Itamaraty admitiram que o cancelamento tem motivos de saúde: "depois do 'piripaque' que ele teve em janeiro, estamos tentando dar mais tempo para ele descansar".


*Fonte: O Globo - Mundo - 15/03/2010